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Piracuruca inicia programação do Festival do Caju 2026 com curso de capacitação

Mais do que ensinar técnicas, o curso proporcionou um ambiente de troca de experiências.

William Lopes04/11/2026 07:14
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Piracuruca inicia programação do Festival do Caju 2026 com curso de capacitação
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Realizada na Fazenda Mata Fria, formação valorizou o potencial econômico do caju, incentivou o empreendedorismo e reforçou a preservação de uma tradição que atravessa gerações. Festival acontece no próximo sábado, 7 de novembro, e homenageia o legado de Dona Lisboa, idealizadora do evento.

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O sabor do caju, a riqueza das tradições e o conhecimento compartilhado marcaram mais uma importante etapa da programação do Festival do Caju 2026, em Piracuruca, no Norte do Piauí. Realizado na Fazenda Mata Fria, o Curso de Aproveitamento do Caju reuniu 15 participantes em uma experiência de aprendizado que uniu técnicas de produção, valorização da agricultura familiar e novas possibilidades de geração de renda.

A capacitação, realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), contou com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Piauí) e apoio da Prefeitura de Piracuruca. Sob a orientação da instrutora Sílvia, os participantes tiveram acesso a conhecimentos teóricos e práticos sobre o aproveitamento do fruto, incluindo processos de transformação e produção de derivados, como a aguardente de caju.

Mais do que ensinar técnicas, o curso proporcionou um ambiente de troca de experiências entre pessoas interessadas em fortalecer a cadeia produtiva do caju. A iniciativa também demonstrou como o aproveitamento da matéria-prima regional pode representar uma alternativa de empreendedorismo, diversificação da produção e complementação da renda familiar.

Fazenda Mata Fria: um espaço de valorização da cultura e da produção regional

A realização da capacitação reforça o papel da Fazenda Mata Fria como espaço de preservação das tradições, incentivo à agricultura familiar e valorização das potencialidades do território piracuruquense.

É nesse ambiente, marcado pela relação entre o campo, a produção e os saberes populares, que o Festival do Caju vem construindo sua identidade ao longo dos anos.

A proposta vai além da realização de uma festividade. Ao promover capacitações e abrir espaço para produtores, agricultores, artesãos e empreendedores, a Fazenda Mata Fria contribui para aproximar o conhecimento técnico da realidade das comunidades e estimular o desenvolvimento de atividades econômicas ligadas ao caju.

O curso realizado neste ano demonstra essa preocupação em transformar a valorização cultural em oportunidades concretas para a população, fortalecendo a relação entre tradição, conhecimento e desenvolvimento local.

O legado de Dona Lisboa permanece vivo na história do festival

Falar sobre o Festival do Caju é também reconhecer a contribuição de Dona Lisboa, sua idealizadora, que deixou um importante legado de amor pela cultura regional e pelas tradições ligadas ao fruto.

Nas edições anteriores, sua dedicação ajudou a construir um evento que se tornou espaço de encontro, celebração e valorização das raízes locais. O festival nasceu desse olhar especial para a riqueza do caju e para as pessoas que fazem parte dessa história.

Mesmo após sua partida, Dona Lisboa permanece presente na memória afetiva do festival. Cada nova edição representa uma oportunidade de dar continuidade ao trabalho iniciado por ela, preservando os valores que inspiraram a criação do evento.

Em 2026, essa homenagem ganha ainda mais significado com uma programação que busca reconhecer não apenas a importância econômica do caju, mas também as histórias humanas que existem por trás de sua produção.

Histórias que dão sabor à nossa terra

Uma das novidades desta edição é a valorização das histórias de moradores de Piracuruca que mantêm uma relação especial com o caju e seus derivados.

Entre os personagens apresentados está Dona Edileusa, produtora de cajuína e outros produtos derivados do fruto. Sua trajetória representa a dedicação de quem transforma os recursos da terra em trabalho, conhecimento e oportunidades, mantendo vivos saberes que fazem parte da identidade piauiense.

Outro destaque é o professor Eudes, cuja história também integra a proposta de resgatar memórias e experiências relacionadas ao caju em Piracuruca.

Ao dar visibilidade a essas trajetórias, o Festival do Caju 2026 reconhece que a verdadeira riqueza dessa cultura não está apenas na produção, mas também nas pessoas que preservam conhecimentos, compartilham experiências e ajudam a manter as tradições vivas.

As histórias de Dona Edileusa, do professor Eudes e de outros personagens locais reforçam o compromisso do evento com a memória, a identidade e a valorização de quem faz parte da história do município.

A força da cajucultura na economia piauiense

A importância de iniciativas como o Curso de Aproveitamento do Caju fica ainda mais evidente quando se observa a dimensão econômica e cultural dessa atividade no Piauí.

Segundo levantamento divulgado pelo Polo Sebrae Agro, a cadeia produtiva da cajuína movimenta aproximadamente R$ 70 milhões e gera cerca de 37 mil empregos no estado. O levantamento também aponta a existência de mais de 3 mil produtores de cajuína no território piauiense, demonstrando a relevância da atividade para pequenos negócios e famílias que encontram no fruto uma fonte de sustento.

A produção também possui forte expressão no Norte do Piauí. Piracuruca, por exemplo, aparece entre os municípios vinculados à tradição da cajuína no mapeamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O reconhecimento reforça a presença histórica desse saber na região e sua importância para a identidade das comunidades.

Além disso, um estudo acadêmico publicado em 2026, com base em dados da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE, aponta que Piracuruca registrou, em 2024, 1.870 hectares de área colhida e 842 toneladas de castanha de caju, com valor de produção estimado em R$ 2,526 milhões. Os números evidenciam a participação do município na cajucultura estadual e o potencial de agregação de valor por meio do beneficiamento do fruto.

A relevância cultural da cajuína também ultrapassa os aspectos econômicos. O modo tradicional de produção e as práticas socioculturais associadas à bebida são reconhecidos pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. O reconhecimento valoriza conhecimentos transmitidos entre gerações e a relação da bebida com a hospitalidade e a identidade piauiense.

Nesse contexto, o Festival do Caju representa uma importante iniciativa de valorização da produção regional, reunindo cultura, qualificação, empreendedorismo e preservação da memória.


Festival do Caju 2026 acontece no dia 7 de novembro

Depois da realização do curso, as atenções se voltam para o próximo sábado, 7 de novembro, quando a Fazenda Mata Fria receberá mais uma edição do Festival do Caju.

A programação terá início às 8h, com a Feira da Agricultura Familiar e Artesanato e apresentação do grupo Chapéu de Couro. Às 15h, será realizado o workshop Nanda Drinks.

No período da noite, a programação será retomada às 18h, com apresentação de Jorlane, seguida do cerimonial, às 18h30. O tradicional leilão acontecerá às 19h30, enquanto a banda Desejo Sem Limites sobe ao palco às 21h. Encerrando as atrações previstas, às 22h será realizado o Concurso de Forró.

Com uma programação que reúne formação, cultura, música, gastronomia e valorização da produção local, o Festival do Caju 2026 reafirma o propósito de preservar tradições e abrir novas possibilidades para quem vive e trabalha com as riquezas da terra.


Mais do que uma celebração, o evento representa a continuidade de um legado iniciado por Dona Lisboa e mantido vivo por pessoas que acreditam na força da cultura regional.


Na Fazenda Mata Fria, cada caju carrega uma história. E cada história ajuda a manter vivas as raízes de Piracuruca.



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